The Pledge,
EUA, 2001.
Com JACK NICHOLSON, ROBIN WRIGHT PENN, DALE DICKEY,
SAM SHEPARD, BENICIO DEL TORO, VANESSA REDGRAVE, MICKEY ROURKE, HARRY DEAN STANTON,
PATRICIA CLARKSON, BEAU DANIELS, AARON ECKHART, MICHAEL O’KEEFE, PAULINE ROBERTSON,
BRITTANY TIPLADY, TOM NOONAN, ADRIEN DORVAL.
Música: HANS ZIMMER, KLAUS BADELT.
Produtor associado: BRIAN COOK.
Fotografia: CHRIS MENGES.
Montagem: JAY CASSIDY.
Desenho de produção: BILL GROOM.
Produção executiva: ANDREW STEVENS, DON CARMODY.
Produção: MICHAEL FITZGERALD, SEAN PENN, ELIE SAMAHA.
Baseado no livro de FRIEDRICH DÜRRENMATT.
Roteiro: JERZY OLSON-KROMOLOWSKI & MARY OLSON.
Direção: SEAN PENN.
Estréia no RJ: 02.05.2003.
Sinopse e comentário.
Drama de suspense. Recém aposentado, o policial Jerry Black se deixa
envolver num último caso quando uma menina de oito anos é encontrada brutalmente assassinada
após ser vítima de estupro. A polícia logo captura um suspeito, o índio Toby Wadenah, visto no
local do crime e com passagem pela cadeia. Jerry, no entanto, discorda da confissão forçada, e,
quando Toby se suicida, decide investigar por conta própria, já que seus ex-colegas não apenas
encerraram o caso, mas lhe sugeriram que fosse logo aproveitar a aposentadoria. Termina
descobrindo na redondeza a ocorrência de crimes semelhantes, onde crianças do sexo feminino
foram encontradas nas mesmas condições, e vem a saber que um estranho homem vinha antes
visitá-las, conquistando sua confiança. Mudando-se para um pequeno distrito e comprando um posto
de gasolina, Jerry irá se relacionar com a balconista ..., até descobrir que a filha desta, a
pequena Chrissy, está sendo visitada por um estranho.
Não dá para deixar uma história de suspense amarga e cruel em mãos que,
embora cheias de pretensões artísticas, não conseguem ir além do melodrama. Ator de talento
inegável, um dos melhores de sua geração, Sean Penn volta e meia se aventura na direção. E volta
e meia se estrepa. Em Acerto Final, o obcecado personagem vivido por Jack Nicholson
respirava apenas para ver o dia em que iria vingar-se do assassino de sua filha. Quem viu o
filme, deve lembrar da frustração sentida no desfecho.
Em A Promessa, Jack Nicholson novamente vive um sujeito que se
deixa levar pela obsessão em capturar um assassino de crianças. O mote agora não é a reação de
pessoas comuns diante de uma tragédia, mas o quanto o contato com o "mal que habita o coração
dos homens" pode afetar a nossa sanidade. Seria um grande filme, e não faltaram elementos para
isso. O início é esplêndido, em menos de cinco minutos Nicholson nos arrebata com uma série de
trejeitos de quem já perdeu completamente a razão, e a paisagem gelada e desoladora promete, sem
cumprir, um clima sufocante.
Seria essa a intenção do diretor. Sean Penn capricha no uso das imagens,
nos closes de objetos e cenários dramaticamente representativos (o aviário, e seu mar branco de
espécies preparadas para o abatedouro, é um deles) e numa correta trilha sonora. Utiliza bem o
recurso de colocar grandes atores, geralmente seus amigos, em papéis-chaves que fornecem pistas
ao protagonista. Aqui vê-se Benicio del Toro, Vanessa Redgrave e Mickey Rourke (esse último, em
atuação constrangedora), mas quem surpreende é a pequena Brittany Triplady, que fazia a filha do
agente Frank Black na série Millenium. Problemas com atores Penn não deve ter.
O problema é mesmo narrativo. Para expressar emoções e transmitir climas,
a direção estende ao infinito a lentidão de quase todas as cenas, e comete seguidos equívocos
tentando construir drama em cima do óbvio. Torna-se previsível e cansativo, prejudicando até
mesmo o interessante final, onde uma cruel ironia provoca a tal "virada" do roteiro, elemento
obrigatório de onze em cada dez filmes americanos contemporâneos.
(M.L.)
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