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Rio de Jano


Brasil, 2003.


Documentário.

Música: LUCAS MARCIER, RODRIGO MARÇAL. Montagem: RENATA BALDI, CRISTIANA GRUMBACH. Fotografia: MÁRIO CARNEIRO, ANDRÉ VIEIRA. Produção executiva: ANNA AZEVEDO. Roteiro, produção, direção: ANNA AZEVEDO, RENATA BALDI, EDUARDO SOUZA LIMA.

Estréia no RJ: 06.02.2004.


















Sinopse e comentário.



    Documentário acompanhando o trabalho do cartunista francês Jano em sua visita ao Rio de Janeiro, para realização de um "caderno de viagem" com suas ilustrações retratando a cidade maravilhosa. Ciceroneado pela equipe de filmagem, Jano é apresentado a lugares diversos que vão da praia de Ipanema ao calçadão de Madureira, cujos tipos humanos logo se tornam personagens de seus desenhos.


    Inspirado nas telas que Jean-Baptiste Debret fazia da população do Brasil-Colônia, e afastando-se dos quadrinhos que o tornaram famoso (no meio "underground", seu rato Kebra é quase tão querido quanto o gato Fritz de Robert Crumb), Jano revelou-se observador atento dos costumes cariocas e foi menos com olhos de turista do que de antropólogo que descreveu o Rio. Procurando fugir dos clichês turísticos sem manter-se alheio a eles (tanto o Pão-de-Açúcar quanto as mulheres com as bundas de fora comparecem em seu relato ilustrado), o artista não se limita ao traço; tece comentários que demonstram não só a atenção e o detalhismo, mas também o carinho por aqueles que visita.


    Seja em observações irônicas a respeito de nosso uso freqüente dos diminutivos, à preocupação social que o fez incluir o catador de latas de alumínio e o caminhão-pipa fornecendo água na favela do Vidigal, a figura magrela e cabeluda de Jano (que também é músico e foi de uma banda de rock) soube misturar-se a seus retratados e transitar com naturalidade entre eles, o que já havia feito em dois trabalhos anteriores, um sobre a África e outro sobre Paris. Fascinado pelas particularidades de cada canto onde, com seu bloquinho, seus bicos-de-pena e sua máquina fotográfica, vem parar, ele realiza não só um trabalho de aproximação ("a realidade brasileira é bem diferente do que se imagina na França", confessa), mas também aponta aspectos que muitas vezes nos passam despercebidos, de tão enraizados.


    Rio de Jano, o filme, é o "making of" do livro. Anna Azevedo, Renata Baldi e Eduardo Souza Lima, seus diretores, optaram pela simplicidade ao registrar a criação do artista e foram felizes, apesar de que alguns acessos de tietagem poderiam ser retirados na edição final. As imagens produzidas pela câmera digital, sujas e tremidas, acentuam a idéia de registro de viagem, e as seqüências em cada local visitado recebem sempre o enriquecedor acompanhamento da ilustração daí resultante. O filme é desses que se acompanha sorrindo, e depois dele só se pode concluir que os mineiros dormiram no ponto deixado de fazer o mesmo com o livro que o espanhol Miguelanxo Prado, autor de belos e sarcásticos quadrinhos pouco conhecidos por aqui, realizou sobre a cidade de Belo Horizonte. (M.L.)





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