Los Lunes al Sol
Espanha/França/Itália, 2002.
Com JAVIER BARDEM, LUIS TOSAR, JOSÉ ÁNGEL EGIDO, NIEVE DE
MEDINA, ENRIQUE VILLÉN, CELSO BUGALLO, JOAQUÍN CLIMENT, AIDA FOLCH, SERGE RIABOUKINE.
Música: LUCIO GODOY.
Fotografia: ALFREDO F. MAYO.
Montagem: NACHO RUIZ CAPILLAS.
Direção de arte: GUALTER PUPO.
Co-Produção executiva: ANDREA OCCHIPINTI, JÉRÔME VIDAL.
Produção: ELÍAS QUEREJETA, JAUME ROURES.
Escrito por FERNANDO LEÓN DE ARANOA, IGNACIO DEL MORAL.
Direção: FERNANDO LEÓN DE ARANOA.
Estréia no RJ: 31.10.2003.
Sinopse e comentário.
Drama social. Devido à falência do estaleiro onde trabalham, grupo de amigos de uma cidade costeira na Espanha perde não só seus empregos como também as próprias perspectivas para suas vidas. Quase sem chances num mercado de trabalho cada vez mais restrito e que privilegia os jovens, o grupo passa seus dias a beber e conversar sobre os tormentos cotidianos que a situação lhes traz. Entre uma tentativa e outra de procurar ocupação e buscar o sustento, muitas desilusões, tragédias, amargor e tristezas.
Segunda-Feira ao Sol é um filme com ritmo lento, sem belas imagens para se apreciar e que também não traz nenhuma sofisticação ou inovação na sua forma e conteúdo. Logo, à primeira vista, os mais afoitos poderiam achar que se trata de um daqueles filmes chatos e tediosos que de tão pretensiosos acabam servindo aos propósitos única e exclusivamente de quem os realizou, ou seja, só eles se divertem. Porém, basta assistir a uns poucos minutos de projeção para se saber que não é nada disso. A história do grupo de amigos que da noite para o dia se vêem desempregados por conta do fechamento do estaleiro em que trabalhavam não só prende a atenção como emociona e... enseja reflexões. O que resta aos homens, na conjuntura atual, quando perdem seu único meio de sustento e sobrevivência, ou seja, sua força de trabalho ? Esse parece ser o principal questionamento do filme. Num mundo onde cada vez mais as conquistas trabalhistas, adquiridas em anos e anos de lutas, vão se tornando mais frágeis e onde um número crescente de indivíduos são obrigados a se submeterem a condições no limite de suas possibilidades e forças, esquecendo família, vida social e diversão para assegurar um emprego que lhes garanta mínimas condições de sobrevivência, o quer falar daqueles que já não se enquadram a "perfis" estipulados por executivos e tecnocratas para preencherem as esquálidas vagas num mercado de trabalho a cada dia mais restrito?
Segunda-Feira ao Sol trata justamente da relação entre a lógica de um mercado que visa lucros cada vez maiores em espaços de tempos cada vez menores e a necessidade que as pessoas têm de sobreviver. Assim, numa realidade onde a difusão e o incremento de novas tecnologias permitem não só o fechamento como também o deslocamento maciço de postos de trabalho para áreas onde a remuneração do capital seja maior e mais segura, a tragédia humana daqueles desamparados pelo tal "sistema" é o que interessa para o diretor Fernando León de Aranoa.
Depois de todo esse preâmbulo sociológico é de se perguntar por que o Aranoa não escreveu logo uma tese acadêmica ao invés de fazer um filme. Foi porque teve sensibilidade suficiente para mostrar o drama de pessoas quase que alijadas socialmente, deserdados e abandonados por não poderem mais desempenhar na comunidade sua função mais importante: o trabalho. Nesse sentido, o desemprego mostrado no filme é tratado como se fosse uma doença, onde o paciente, uma vez contaminado, possui poucas chances de sobrevivência. Preocupando-se exclusivamente em demonstrar de forma contundente porém ao mesmo tempo didática e emocional a situação dos esquecidos do "capital", Aranoa abre mão de maiores floreios narrativos em favor de uma abordagem seca e minimalista, que privilegia a atuação dos atores e a força das situações criadas pelo roteiro.
A destacar particularmente a atuação de Javier Bardem. Seu personagem é o eixo central de toda a trama e ele empresta carisma e sinceridade suficientes para que as amarguras e desilusões mostradas na tela tenham credibilidade e força dramática para emocionar, e em alguns casos até divertir.
(Marcos Roberto Magalhães de Sá)
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