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O Senhor dos Anéis:
As Duas Torres


The Lord of the Rings: The Two Towers,
EUA/Nova Zelândia/Alemanha, 2002.


Com ELIJAH WOOD, IAN McKELLEN, VIGGO MORTENSEN, SEAN ASTIN, BILLY BOYD, LIV TYLER, ORLANDO BLOOM, ANDY SERKIS, JOHN RHYS-DAVIES, DOMINIC MONAGHAN, CHRISTOPHER LEE, MIRANDA OTTO, BRAD DOURIF, CATE BLANCHETT, KARL URBAN, BERNARD HILL, DAVID WENHAM, JOHN LEIGH, BRUCE HOPKINS.

Baseado no romance de J.R.R. TOLKIEN. Roteiro: FRANCES WALSH & PHILIPPA BOYENS & STEPHEN SINCLAIR & PETER JACKSON. Música: HOWARD SHORE. Fotografia: ANDREW LESNIE. Montagem: D. MICHAEL HORTON, JABEZ OLSSEN. Co-produção: RICK PORRAS, JAMIE SELKIRK. Desenho de produção: GRANT MAJOR. Produção executiva: BOB WEINSTEIN, HARVEY WEINSTEIN, MICHAEL LYNNE, MARK ORDESKY, ROBERT SHAYE. Produção: FRANCES WALSH, BARRIE M. OSBORNE, PETER JACKSON. Direção: PETER JACKSON.

Estréia no RJ: 27.12.2002.




Sinopse e comentário.



    Épico fantástico, 2ª parte da trilogia iniciada com O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. Com o desmembramento do grupo encarregado de levar até Mordor o anel do demônio Sauron, e lá destruí-lo para sempre, os exércitos do mal criados pelo mago Saruman avançam sobre as civilizações restantes, a fim de acabar de vez com a vida na Terra-Média. Assim, enquanto os hobbits Frodo (o portador do anel, cuja influência negativa vem se tornando cada vez maior) e Sam, agora acompanhados do repulsivo Gollum, atravessam montanhas, florestas e pântanos rumo a Mordor, o guerreiro Aragorn, o elfo Legolas e o anão Gimli, após reencontrar o mago Gandalf, juntam-se ao rei de Rohan para dar início à resistência.


    Não seria má idéia se filmes como O Senhor dos Anéis, ou a atual trilogia Star Wars, contassem com dois diretores em suas fichas técnicas, um responsável pelas deslumbrantes seqüências de ação e outro pela construção dos personagens e pela orientação dramática da história. Talvez assim a repetida insatisfação produzida por estes filmes pudesse acabar, ou ao menos diminuir. Porque dá pena ver um filme com tantas possibilidades para tornar-se clássico (o que, de acordo com críticos mais deslumbrados, já aconteceu) cometer tantos deslizes e tornar-se tão superficial naquilo que deveria ser exatamente a sustentação da trama, que é o elemento humano.


    Personagens vazios de carisma e de alma, surgindo e desaparecendo como quem bate cartão numa empresa, não têm como conquistar a simpatia e a torcida do público que espera maravilhar-se acompanhar os heróis no universo prometido pela história. Não dá para se envolver com um herói completamente inexpressivo como o Aragorn interpretado por Vigo Mortensen, ou achar graça das tentativas de fazer rir do anão Gimli, personagem escalado para esta única função. Nem mesmo Ian McKellen (um espetáculo em Ricardo III) diz a que veio como Gandalf, não sendo, deste modo, uma surpresa o fato de o único personagem verdadeiramente interessante não existir no mundo real, mas ser construído por computador. Trata-se de Gollum, a criatura asquerosa que um dia foi um hobbit como Frodo, mas que ao manter consigo o anel teve não apenas o caráter, mas também a forma física, totalmente corrompidos. Vivendo dividido entre ajudar Frodo e matá-lo para recuperar seu "precioso" anel, Gollum (ou Smeagol, o nome como era conhecido antes da mudança) é personagem riquíssimo em feições, gestos e vozes, provoca ao mesmo tempo horror, piedade e riso em quase todas as cenas onde aparece, e foi até motivo de uma brincadeira da crítica americana, que sugeriu para ele uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante. Vê-se, assim, que a falta de vontade para dar consistência a um personagem não é involuntária, e que quando o diretor Peter Jackson e sua equipe querem, sabem como fazê-lo. Nem que seja apenas para privilegiar o pessoal dos efeitos especiais.


    E não há como falar de O Senhor dos Anéis sem mencionar os efeitos especiais. A computação gráfica já provou que não existem mais limites para esta categoria cinematográfica além da imaginação de seus autores. Isso Peter Jackson e J. R. R. Tolkien (autor dos romances que originaram os filmes) têm de sobra. Seja para criar seres e cenários fantásticos, ou mesmo para realçar paisagens já naturalmente deslumbrantes, é bem capaz de os efeitos especiais estarem presentes em quase todas as cenas. As Duas Torres consegue, ainda mais do que A Sociedade do Anel, ser um espetáculo visual de proporções raramente vistas. Seja nas seguidas cenas de batalha (o que o diretor parece saber fazer melhor, dado o fôlego, a plasticidade e a inventividade com que acompanha cada ataque, principalmente no combate final no Abismo de Helm), ou mesmo em momentos mais sombrios como a travessia de Frodo no pântano onde rostos humanos são vislumbrados sob a água, Jackson e equipe compensam todo o fiasco de dramaticidade, toda a pretensão (que sufoca qualquer momento de espontaneidade, num filme construído rigorosamente como se fosse um edifício, e não uma canção) que vêm arranhando essa trilogia. Ainda assim, por mais que O Senhor dos Anéis, o filme, seja guerra, guerra e mais guerra, por mais que seus momentos de emoção não consigam ir além da pieguice novelesca, por mais que a série venha prometendo mais do que cumpre, fãs de cinema em geral devem correr atrás desta aventura dos habitantes da Terra-Média. Ainda há, dentro dela, um encantamento e uma capacidade de deslumbrar que não devem ser desprezadas. Pois foi esse encantamento que, há mais de um século, deu origem à linguagem cinematográfica. (M.L.)










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