O Senhor dos Anéis O Retorno do Rei
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The Lord of the Rings: The Return of the King,
EUA / Nova Zelândia, 2003.
Com ELIJAH WOOD, IAN McKELLEN, VIGGO MORTENSEN, ANDY SERKIS,
SEAN ASTIN, MIRANDA OTTO, LIV TYLER, HUGO WEAVING, BILLY BOYD, ORLANDO BLOOM, BERNARD HILL,
DAVID WENHAM, DOMINIC MONAGHAN, JOHN RHYS-DAVIES, JOHN NOBLE, CATE BLANCHETT, IAN HOLM.
Música: HOWARD SHORE.
Co-produção: RICK PORRAS, JAMIE SELKIRK.
Fotografia: ANDREW LESNIE.
Montagem: ANNIE COLLINS, JAMIE SELKIRK.
Desenho de produção: GRANT MAJOR.
Produção executiva: MICHAEL LYNNE, MARK ORDESKY,
ROBERT SHAYE, BOB WEINSTEIN, HARVEY WEINSTEIN.
Produção: PETER JACKSON, FRAN WALSH, BARRIE M. OSBORNE.
Roteiro: FRAN WALSH & PHILIPPA BOYENS & PETER JACKSON.
Baseado no romance de J.R.R TOLKIEN.
Direção: PETER JACKSON.
Estréia no RJ: 25.12.2003.
Sinopse e comentário.
Aventura épica, encerrando a trilogia iniciada com O Senhor dos
Anéis: A Sociedade do Anel. Após a vitória em Rohan, o grupo chefiado por Aragorn e o mago
Gandalf partem para Minas Tirith, a cidade dos reis, a fim de defendê-la de Sauron, a entidade
maligna que está disposta a tudo para impedir a união dos reinos da Terra Média, e que ao
descobrir a identidade de Aragorn (cuja linhagem o tornaria o rei dos homens e líder da guerra
contra o mal), já teria reunido o maior dos exércitos para o que seria a derradeira batalha. Mas
Denethor, o regente que comanda Minas Tirith, não apenas não aceita entregar o reino a seu
verdadeiro dono, como ainda recusa-se a empreender uma guerra contra as forças que avançam em
sua direção. Paralelamente, os dois hobbits Frodo e Sam continuam seguindo Gollum na viagem a
Mordor, onde deverão destruir o maligno anel que, se recuperado por Sauron, mergulharia todo o
mundo nas trevas. Cada vez mais corrompido pelo mal, no entanto, Gollum deseja apenas preparar
uma armadilha para os dois, guiando-os por regiões perigosas para roubar o anel em poder de
Frodo, que também vem sofrendo a influência negativa da nefasta jóia.
Encerrando de forma memorável a saga iniciada dois anos antes com um
filme mediano, o diretor Peter Jackson acabou por realizar uma obra curiosa, dessas que não se
faz mais: sem medo de ser cafona, meloso ou até mesmo piegas, o filme distanciou-se de tudo o
que vem sendo feito em termos de filmes de aventura e priorizou valores como amizade e honra e,
principalmente, a determinação em sacrificar a própria vida por eles e contra a injustiça. Tanto
neste O Retorno do Rei quanto nos episódios anteriores (mas neste principalmente), vê-se
todos os personagens principais, mesmo os hobbits mais medrosos e enjoados, investindo em ações
cujas possibilidades de êxito são mínimas, "viagens sem volta" que ainda assim necessitam que
sejam feitas independente de quão pesado seja o fardo a carregar. Na amizade de Frodo e Sam (tão
fortemente carregada de emoção que muitas vezes chega a confundir o público, que acaba vendo na
tela um disfarçado homossexualismo nos anõezinhos), o que se tem é a completa anulação dos
indivíduos ante a missão suicida a cumprir. Por piores que sejam as ameaças e tentações, os dois
seres podem lamentar-se ou ser tomados pelo mais profundo horror; mas jamais recuam ou falam em
desistir. O mesmo vale para os guerreiros comandados por Aragorn, principalmente Faramir, que
sabe estar sendo enviado para a morte por seu próprio pai (o enlouquecido Denethor) e mesmo
assim obedece sem questioná-lo.
Esteta das cenas de batalha, Jackson confirma aqui o talento anunciado no
filme anterior, As Duas Torres. Confrontos grandiosos entre exércitos rivais com pedras
imensas destruindo castelos, toras incandescentes arrombando portões, milhares de flechas
cortando os céus, monstros voadores arrancando do chão guerreiros a cavalo, monstruosos
elefantes avançando sobre fileiras de homens que são pisoteados como formigas, sem contar um
exército de fantasmas, a cada instante o diretor faz questão de se superar, o que quase sempre
consegue, inundando as vistas do espectador com imagens tão ricas quanto impactantes. A elogiar
a perfeição dos efeitos visuais e a fotografia, que muitas vezes parece uma pintura, de tão
bonita e elaborada. Os personagens, ainda que valorizados neste filme, sofrem ainda o peso de
tanta grandiosidade, e principalmente em momentos como o drama da elfa Arwen, obrigada a abdicar
de sua condição para poder unir-se ao amado Aragorn, e com a vida condicionada à destruição do
anel, vê-se que ao roteiro, prejudicado ainda pelo sem-número de tramas paralelas, não foi
dedicado tanto esmero. O grande personagem do filme em termos de construção continua sendo o
asqueroso Gollum, cujo passado (e o ator que o interpreta, Andy Serkis) é aqui exibido no ótimo
prólogo. Em termos dramáticos, são dele os melhores momentos de O Retorno do Rei, seja no
referido prólogo quanto na seqüência em que seu ardil é enfim descoberto por Frodo. Repare nas
duas expressões do personagem, de dor e de ódio, e na forma como uma transforma-se em outra.
Nessa hora, o close em seu rosto impressiona mais que qualquer aranha gigante, ou luta na
beirada do vulcão, cenas que, apesar de esticadas pelo diretor mais do que o necessário, merecem
destaque, junto com o combate suicida de Faramir e a trilha sonora de Howard Shore.
(M.L.)
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