Principal
   Editorial
   Tonitruâncias
   O Cisco de Olho
   Colunas
   Cinema & TV
   Filmoteca
   Programação
   Teatro
   Poesia
   Quadrinhos
   Ciscando
   Galeria
   Livros do Cisco
   Todos os Autores
   Grupo de Discussão
   Piadas
   Doações
   Serviços
   Créditos
   E-mail

  Busca



No Cisco Na web

                 Fornecido por FreeFind


leitor(es) de bom gosto
onl
ine
    

#   A    B   C    D   E    F   G    H   I    J   K    L   M   
N   O    P   Q    R   S    T   U    V   W    X   Y    Z



Separações


Brasil, 2002.


Com DOMINGOS OLIVEIRA, PRISCILLA ROZENBAUM, FÁBIO JUNQUEIRA, RICARDO KOSOVSKI, MARIA RIBEIRO, NANDDA ROCHA, SUZANA SALDANHA.

Direção de arte e figurino: RONALD TEIXEIRA. Fotografia e câmera: PAULO VIOLETA. Montagem: NATARA NEY e JOSÉ RUBENS. Produção: CLÉLIA BESSA e LUIZ LEITÃO. Escrito por DOMINGOS OLIVEIRA com a colaboração de PRISCILLA ROZENBAUM. Direção: DOMINGOS OLIVEIRA.

Estréia no RJ: 03.01.2003.

Sítio oficial: www.separacoes.com







Sinopse e comentário.



    Romance. Casados há 12 anos, Cabral e Glorinha vêm atravessando uma crise. Ele, diretor teatral de reconhecido talento, começa a demonstrar cansaço com a rotina de vida e trabalho conjuntos; ela, atriz e assistente de direção das peças dele (e vinte anos mais nova do que o cinqüentão Cabral), quer novas experiências, voar por suas próprias asas, o que desagrada a ele. O convite profissional do amigo e ex-namorado dela, Ricardo, também diretor de teatro e iniciando um novo projeto, acaba sendo o estopim de uma nova briga, que leva o casal a "dar um tempo". Assim, enquanto Glorinha vai trabalhar com Ricardo e se apaixona pelo arquiteto Diogo, Cabral tem um caso com uma aluna e logo se arrepende, passando a pedir, sem saber que já existe outro homem na história, que Glorinha reconsidere e volte para ele. Juntam-se à trama a filha de Cabral, Júlia, jovem que não crê na fidelidade conjugal e vive traindo o marido; Maribel, amiga de Júlia que namora com Ricardo, sem saber que ele tem outra; e Laura, mulher de meia idade que se aproveita da carência, da solidão e da desesperada embriaguez de Cabral e, numa noite de bebedeira, leva-o para a cama.


    No universo ficcional do diretor/autor Domingos Oliveira, todas as relações que os personagens estabelecem com o mundo e entre eles mesmos se baseiam nas paixões, e na falta de controle sobre elas. Inspirados pela paisagem de uma cidade que a cada fotograma é vista com olhos de amante, os artistas e intelectuais que protagonizam as crônicas urbanas que o diretor cria, seja para o cinema ou para o teatro, trazem uma intensidade amorosa que, em maior ou menor grau, sempre se corresponde no outro. No núcleo de amigos/amantes das tramas do diretor, casais se formam, se desfazem e voltam a se formar, numa ciranda explicada unicamente pela natureza humana. "A fidelidade é uma utopia", diz alguém em certo instante. Ou "Melhor me arrepender de ter feito do que de não ter". E o arrependimento fatalmente vem, e com ele a dor e a transformação do ser esfuziante no ser patético, que grita e que chora e por fim se ajoelha aos pés do ser amado buscando no gesto um tipo qualquer de redenção.


    É dessa maneira que Domingos exerce sua profissão de fé no ser humano. É através de uma visão romântica, fundamentada numa espécie de trinômio erro-acerto-enriquecimento, que ele procura de forma despretensiosa (mas não menos inteligente) exibir a beleza que teve a sorte de encontrar naqueles que o cercam. Sejam reais ou imaginários, amigos ou personagens da literatura, é na distância do alcance do braço que ele vai buscar matéria prima para suas histórias. Junte-se a isto um insuperável talento com diálogos, que o faz amontoar frases impagáveis de um fôlego só; uma sensibilidade narrativa capaz de gerar seqüências de grande beleza como o rápido "flash back" contando a história de Cabral e Glorinha (com cenas de arquivo do casal de protagonistas), ou o poema que a que o próprio autor ateia fogo, numa fotografia estourada que cria um bonito efeito, ou ainda a deliciosa briga entre Cabral e Diego no Baixo Gávea, em que a câmera oscilante parece tão bêbada quanto o protagonista.


    Separações, como o filme anterior de Domingos Oliveira (Amores, de 1996) nasceu de uma peça de mesmo nome. A transposição para a tela, com o mesmo elenco dos palcos, deu mais ritmo e beleza a um texto que pecava pelo excesso de verborragia. Mesmo o filme se excede, principalmente ao final, na febre em resolver todas as situações e deixar todo mundo feliz, e repetindo o recurso de Amores de colocar os atores narrando que fim levou cada personagem. O objetivo parece ser o de gerar maior intimidade com o público, como que criando uma conversa particular entre filme e espectador, mas o resultado acaba sendo o oposto, tornando-se artificial e servindo apenas para indicar que o final está chegando.


    Há que se destacar o elenco. Fora o sempre maravilhoso Domingos, carismático e engraçadíssimo em sua mistura de fragilidade, rabugice e ternura, há também a beleza de Priscilla Rozenbaum, esposa / parceira / colaboradora do diretor, que parece fazer questão de não dar bola para o passar do tempo e ser sempre bonita e talentosa a cada filme. Felizmente, em Separações o roteiro corrigiu uma falha do texto teatral, presenteando com melhores cenas e falas os demais personagens, que na peça se limitavam a servir de escada para Cabral. Isso possibilitou maior destaque tanto para a personagem Glorinha quanto para Ricardo, interpretado por um divertido Ricardo Kosowski. A lamentar o desempenho das duas atrizes mais jovens, Maria Ribeiro e Nandda Rocha, que apesar da beleza parecem não saber o que estão falando em quase todos os momentos do filme. Destaque ainda para a trilha sonora, que logo na abertura brinda o espectador com a voz de Paulinho da Viola, e para a lindíssima panorâmica do Parque Lage, lugar do Rio que já foi cenário de dois filmes antológicos do cinema brasileiro, Terra em Transe e Macunaíma. (M.L.)










#   A    B   C    D   E    F   G    H   I    J   K    L   M   
N   O    P   Q    R   S    T   U    V   W    X   Y    Z






  Criação e edição:


     Volta ao Topo

   Principal    Editorial    Tonitruâncias    O Cisco de Olho    Colunas    Cinema & TV    Filmoteca    Programação    Teatro    Poesia    Quadrinhos    Ciscando    Galeria    Livros do Cisco    Todos os Autores    Grupo de Discussão    Piadas    Doações    Serviços    Créditos
   E-mail

  Busca



No Cisco Na web

                 Fornecido por FreeFind


leitor(es) de bom gosto
onl
ine



Melhor visualizado com o navegador Internet Explorer 5.0 ou superior,
com resolução de 800x600.



Vergonha na cara não é vírus.