Swimming Pool À Beira da Piscina
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Swimming Pool,
França / Reino Unido, 2003.
Com CHARLOTTE RAMPLING, LUDIVINE SAGNIER, CHARLES DANCE,
JEAN-MARIE LAMOUR, MARC FAVOLLE, MIREILLE MOSSÉ, MICHEL FAU, JEAN-CLAUDE LECAS,
EMILIE GAVOIS-KAHN, ERARDE FORESTALI, LAUREN FARROW.
Música: PHILIPPE ROMBI.
Co-produção: TIMOTHY BURRILL.
Fotografia: YORICK LE SAUX.
Montagem: MONICA COLEMAN.
Desenho de produção: WOUTER ZOON.
Produção: OLIVIER DELBOSC, MARC MISSONNIER.
Roteiro: FRANÇOIS OZON.
História: EMMANUÈLE BERNHEIM.
Direção: FRANÇOIS OZON.
Estréia no RJ: 09.01.2004.
Sinopse e comentário.
Suspense psicológico. A fim de buscar inspiração para um novo livro,
a escritora inglesa Sarah Morton aceita de seu editor John Bosload o convite para ficar na casa
que ele mantém na França. Esperando ficar sozinha no belo casarão com piscina, Sarah é
surpreendida pela chegada, no meio da noite, da filha de Bosload, a bela Julie. Exuberante,
desleixada e lasciva, Julie possui um comportamento que de imediato entrará em choque com a
rigorosa escritora. A proximidade e a observação da outra, no entanto, despertará em Sarah
sentimentos de sua própria juventude, transformando a aversão mútua num relacionamento de
atração e ciúmes.
Dentro do gênero suspense, o embate psicológico é mote que, dependendo
da inteligência e sutileza do diretor, pode render obras memoráveis. Nestes casos geralmente há
um conflito que, mais do que entre o protagonista e o antagonista, ocorre entre o protagonista
e si mesmo. O antagonista surge como a chave que ameaça abrir o armário e deixar escapar alguma
tara até então sufocada, ou esquecida, ou coisa que valha. Tentado acaba ficando também o
público, pois a expectativa gerada é justamente para que o protagonista se renda à provocação.
Ainda que não dê maior profundidade à psicologia das duas mulheres ou
traga qualquer inovação ao gênero, Swimming Pool é plenamente eficiente em manter o
espectador atento ao desenrolar da trama. Econômico na construção das personagens, o roteiro
fornece no entanto pequenos momentos que surpreendem e deliciam o espectador como nas fantasias
eróticas que Sarah projeta em seus sonhos, bem como nos olhares furtivos à mulher mais nova.
Mérito de Charlotte Rampling, que faz de sua escritora uma criatura à primeira vista antipática
e arrogante, compulsiva (vive se entupindo de guloseimas), quase amarga. Mas que cresce à medida
que assume estar gostando do jogo (impagável a cena dela dançando com Julie e o homem por esta
convidado), até entregar-se à cumplicidade total para com a outra. Ludivine Sagnier, por sua
vez, também surpreende após a impressão inicial de que não passa de mais uma coisinha gostosa
para alimentar as fantasias dos marmanjos. O comportamento excessivo de Julie, que banha-se nua
na piscina e se entrega, a cada noite, a um homem diferente, se torna aceitável graças à sua
atuação, que deixa convincente o clichê da menina rica, carente e criada na ausência dos pais.
Mas parece que, para François Ozon (que dirigiu recentemente 8
Mulheres, e que já havia trabalhado com Charlotte Rampling em Sob a Areia) e
Emmanuèle Berhneim, autora do argumento, só mostrar a excitante queda-de-braço entre Sarah e
Julie não seria suficiente para sustentar o filme. Sem levar muita fé nos próprios tacos,
enfiaram na história um cadáver que poderia muito bem não existir, por melhor que seja a
justificativa criada para ele. A guinada para o suspense policial (há um morto? Quem matou?
Como livrar-se do corpo?), que o pianinho climático na trilha sonora já vinha anunciando desde
os créditos iniciais, parece mais uma forçada de barra do que outra coisa, e por pouco (Ozon é
talentoso e sabe lidar com armadilhas de roteiro) não põe tudo a perder.
(M.L.)
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