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Sonhos de Einstein




Direção: CLÁUDIO BALTAR.
Criação: ANALU REHDER, BETH MARTINS, CLÁUDIO BALTAR, HELENA BITTENCOURT, JULIANA COUTINHO, LEONARDO SENNA, LUISA BUARQUE, PAULO MAZZONI, RENATO LINHARES, RENATO OLIVEIRA, VANDA JACQUES, VALÉRIA MARTINS.
Roteiro: CLÁUDIO BALTAR, LEONARDO SENNA, PAULO MAZZONI, RENATO LINHARES.
Com a INTRÉPIDA TRUPE.

Em cartaz no Espaço Intrépida Trupe na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro.






   A opção por espetáculos que, misturando acrobacia, teatro, dança e circo, sejam isso tudo e nada disso, indica o rumo que uma companhia quer seguir, e a maneira com que pretende atingir o seu público. Fundada em 1986, a Intrépida Trupe vem obtendo êxito na tentativa de colocar em cena o lirismo e a fantasia, através de rigorosa pesquisa, muita criatividade e um memorável dom de provocar emoção através da vertigem.

   Sonhos de Einstein, o novo espetáculo, resulta da leitura do livro homônimo de Alan Lightmann, e do desejo de lidar com o tempo e as formas com que ele é percebido pelo homem. Juntando a isso um estudo na área da Física (que contou inclusive com uma palestra do Prof. Luiz Davidovich, da UFRJ, para o grupo), a Intrépida Trupe reuniu, assim, tanto o embasamento técnico / teórico para formar o conceito da nova apresentação, quanto a inspiração para transformar em imagens de intensa poesia os questionamentos despertados por um simples olhar curioso sobre o tempo.


   O público que entra no recém criado Espaço Intrépida Trupe, dentro da Fundição Progresso, no Rio, logo pressente que estão tentando lhe oferecer uma experiência diferente. No lugar de cadeiras, há balanços para que as pessoas se acomodem e possam, ainda que em escala reduzidíssima, compartilhar com os artistas a sensação de ter os corpos suspensos no ar. Será curioso ver, no decorrer de Sonhos de Einstein, a inquietação de alguns (desse missivista, inclusive) nos balanços: vontade nítida de estar lá no meio deles, de ser parte da Trupe e juntar-se ao que mais parece uma brincadeira / desafio às leis da gravidade.

   O espetáculo é formado por vários esquetes, amarrados por uma narração em off que reproduz a palestra de Luiz Davidovich. Fala-se de espaço e tempo, das coordenadas seguidas por cada um desses elementos, discorre-se brevemente sobre o sentido e o caos que regulam o universo, sobre ordem e desordem. Na coreografia, repetições e movimentos circulares remetem a pêndulos e ponteiros de relógios. Alguns movimentos mais vigorosos surpreendem pelo risco, pela ousadia e, algumas vezes, pela proximidade com a platéia. Ou divertem, como a brincadeira com as palavras e com o ritmo, transformando em música a frase "Será que o tempo realmente passa?". Ou ainda pela beleza estética, quando as luzes se apagam e a única luz que se vê está na cabeça de um "ladrão" que circula velozmente pelo palco, de patins, perseguido pelos demais.

   Geralmente a apresentação divide-se em vários focos narrativos simultâneos, com diversos corpos se movendo no espaço ao mesmo tempo, fazendo com que o espectador tenha de escolher o que apreciar, como no belo momento em que todos os membros dormem estirados em redes suspensas e sonham. Não há como não lembrar, em certas horas, dos festejos oníricos de Federico Fellini, dado o caráter de celebração de Sonhos de Einstein. A alegria e a leveza que a Intrépida Trupe imprimiu ao espetáculo terminam por acompanhar os espectadores: olhando a cara das pessoas (jovens, velhos, crianças) durante a saída, vê-se que estão todos sonhando, talvez não como Einstein, mas como o diretor Cláudio Baltar e sua trupe encantadoramente intrépida. (M. L.)





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