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05.12.2004
Páginas do Passado: o boom das revistas de História
Thatiana Murillo
Nos últimos meses, leitores mais atentos vêm notando uma pequena transformação nas estantes
das bancas de jornal... Ao lado das revistas sobre dezenas de assuntos já usualmente conhecidos
começaram a aparecer curiosos títulos sobre um tema que está ganhando cada vez mais importância
por estas bandas: a História.
Editorialmente falando, a idéia não é tão nova. Em 1909, Jules Tallandier fundava na França
a revista Historia. Depois de alguns anos, outros países passaram a produzir periódicos
sobre o assunto. Só para citar alguns exemplos temos a History Today na Inglaterra,
publicada desde 1951; a L’Histoire, que é a mais conhecida revista francesa de divulgação
histórica, publicada desde maio de 1978; e uma mais recente, La Aventura de La Historia,
que é a revista espanhola do grupo do jornal diário El Mundo, publicada desde 1998.
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Capa da edição francesa "Historia". As revistas sobre o assunto são artigo de
consumo antigo na Europa.
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Aqui essa onda demorou a quebrar nas páginas das revistas, mas em compensação, quando
quebrou estourou. Em menos de dois anos o mercado viu nascer quatro revistas sobre História. A
primeira a ser lançada foi a Aventuras na História, cujo primeiro número foi publicado
pela Editora Abril em julho de 2003. Apenas quatro meses depois, em novembro do mesmo ano,
surgiram a História Viva, da Duetto Editorial, e a Nossa História, publicada pela Editora
Vera Cruz e editada pela Biblioteca Nacional. E por fim, no último mês de agosto apareceu também
a Desvendando a História, da Editora Escala. Isso sem mencionar outras publicações
temáticas - geralmente edições especiais sem periodicidade definida.
Não é pouco se paramos para pensar que, nem quando o Brasil festejou seus 500 anos de
conquistado, não havia ainda nenhum periódico regular para falar da História. No entanto, os
eventos que foram montados naqueles meses serviram para plantar uma semente de curiosidade pelas
discussões lançadas. Hoje, quase cinco anos depois, é de chamar atenção essa profusão de
temáticas históricas em várias áreas da cultura e a quantidade de apreciadores aumentando em
progressão geométrica!
Evidentemente, esse crescente interesse não poderia deixar de esbarrar no mercado dos
impressos. Mas, se o leitor está se perguntando se existe tanta gente interessada no assunto, a
resposta é... sim! E há revista de História para todo tipo de aficionado, pois nenhum dos
títulos mencionados segue linhas editoriais muito semelhantes.
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Desde o seu lançamento, "Aventuras na História" fez tanto sucesso que já conta com
duas comunidades no orkut.
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Celso Miranda, editor da pioneira Aventuras na História, nos conta que a idéia de
lançar uma revista de História nasceu a partir da experiência desenrolada na redação da
Superinteressante, onde foi editor anteriormente. Em maio de 2003 sua equipe percebeu que, nos
dois anos anteriores, das quatro edições mais vendidas, três eram sobre temas históricos. "Nossa
análise, naquele momento, era que o mercado editorial de livros não atendia esse segmento, ainda
que, nos últimos anos, alguns dos títulos mais vendidos no Brasil tenham sido sobre história",
explicou-nos citando como exemplo os livros do escritor Eduardo Bueno.
Sendo assim, o modelo da Superinteressante acabou servindo para que a equipe decidisse qual
seria o formato editorial da Aventuras na História, que segundo Celso, importou da outra
"o jeito de tratar de assuntos complexos de forma descomplicada e atraente".
E bota atraente nisso, pois quem já teve a oportunidade de folhear a revista deve ter se
impressionado com os infográficos, as ilustrações e a organização das seções. Não é à toa que,
como mostram os números de vendas da editora, Aventuras na História apresenta resultados
impressionantes: 35 mil exemplares de vendas avulsas, em média, e 25 mil assinantes. Além da
revista, já foram lançados mais dois títulos com a marca "Aventuras na História": Os 10
Maiores (sobre generais, pacifistas, ditadores e revolucionários que fizeram história) e
Grandes Guerras (sobre os principais conflitos da história contemporânea). Estas duas
coleções também se alternam mensalmente nas bancas. E a Abril lançou ainda, em parceria com a
BBC de Londres, uma linha de documentários.
O sucesso da Aventuras na História abriu o caminho para as outras que, com diferentes
estilos - levemente acadêmicos ou mais populares -, estão pouco a pouco conquistando centenas de
leitores seduzidos por uma leitura menos erudita e mais leve. Inclusive, essa estratégia tem
levado muita gente a se "reconciliar" com os livros didáticos da referida matéria, considerada
chata por nove entre dez estudantes do ensino médio. Resta saber agora se o interesse vai
perdurar. Particularmente, como jornalista e professora de História, torço deveras para que
sim.
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