A Trilha da Pantera Cor-de-Rosa
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Trail of the Pink Panther,
Inglaterra / EUA, 1982.
Com PETER SELLERS, HERBERT LOM, JOANA LUMLEY,
RICHARD MULLIGAN, BURT KWOUK, HARVEY KORMAN, DAVID NIVEN, CAPUCINE, GRAHAM STARK, PETER ARNE,
ANDRE MARANNE, RONALD FRASER, LEONARD ROSSITER, MARNE MAITLAND, HAROLD KASKEY, LIZ SMITH.
Música: HENRY MANCINI.
Produtor associado: GERALD T. NUTTING.
Produtor executivo: JONATHAN D. KRANE.
Animação e abertura escrita e dirigida por ARTHUR LEONARDI,
baseadas na criação de DAVID H. DePATIE e FRIZ FRELENG.
Montagem: ALAN JONES.
Desenho de produção: PETER MULLINS.
Fotografia: DICK BUSH.
História: BLAKE EDWARDS.
Roteiro: FRANK WALDMAN, TOM WALDMAN, BLAKE EDWARDS,
GEOFFREY EDWARDS.
Produção: BLAKE EDWARDS & TONY ADAMS.
Direção: BLAKE EDWARDS.
Estréia no RJ:
Sinopse e comentário.
Comédia, sexto filme da série com o Inspetor Clouseau. Quando, pela
terceira vez, o maior diamante do mundo, a Pantera Cor-de-Rosa, é roubado, o governo de Lugash,
no Oriente Médio, solicita à França o envio de seu mais valoroso policial, o Inspetor-Chefe
Jacques Clouseau, para mais uma vez encontrar a pedra. Para desgosto de seu superior, o Inspetor
Charles Dreyfus, Clouseau assume o caso ciente de tratar-se de nova ação do criminoso conhecido
por O Fantasma, disfarce do milionário Charles Lytton, a quem perseguira no passado. Em Lugash,
ao saber que o prêmio do seguro do diamante já havia sido entregue, o coronel-presidente
Sandover Haleesh planeja impedir a qualquer custo que a pedra seja encontrada. Quando Clouseu
parte para a Inglaterra à procura de Lytton, no entanto, o avião em que se encontrava desaparece
no mar, e o inspetor é dado como morto. Para solucionar o mistério do desaparecimento do mais
importante policial da França, entra em cena então a repórter Marie Jouvet, que irá entrevistar
não apenas os amigos e os inimigos do inspetor, mas até mesmo o seu pai.
A série A Pantera Cor-de-Rosa deve sua longevidade, mais do que
qualquer outra coisa, à teimosia de Blake Edwards. Aos trancos e barrancos, com surtos
oscilantes de inspiração e a presença de um gênio da comédia, o fabuloso Peter Sellers,
encabeçando cada filme, o produtor-diretor-autor Edwards foi acrescentando títulos e
ultrapassando décadas seguindo uma fórmula que pouco mudou desde sua origem, no já distante ano
de 1964. Com a morte de Sellers, julgou-se que a série encerraria suas atividades e que o
Inspetor Jacques Clouseau ("Inspetor-Chefe!", ele teria corrigido) poderia enfim se aposentar e
curtir um merecido descanso depois de sofrer tantas quedas, atentados e perseguições.
Ledo engano. Dois anos após a morte de seu protagonista, eis que a série
retorna não com um, mas dois filmes de uma vez. O primeiro é este A Trilha da Pantera
Cor-de-Rosa, homenagem que Edwards fez a Sellers construindo uma trama onde pudesse inserir
todo o material inédito que sobrou dos outros cinco filmes, e ainda reprisar os melhores
momentos de Clouseau, em "flash backs" e numa coletânea exibida durante os créditos finais. O
outro, A Maldição da Pantera Cor-de-Rosa, foi realizado simultaneamente a este (é
inclusive anunciado ao final) e inseriu, sem sucesso, um novo protagonista cômico.
Este A Trilha... custou a Edwards um processo movido pela família
de Peter Sellers, que considerou "mórbida e desrespeitosa" a homenagem promovida pelo diretor.
Exageros à parte, se era para homenagear, melhor seria que fizessem um documentário. Por mais
que seja delicioso rever os personagens Cato, Hercule, Lytton e a ex-Sra. Clouseau, Simone
(todos interpretados pelos atores originais, inclusive David Niven e Capucine), o esforço do
roteiro em criar cenas engraçadas mostrando a infância e a família de Jacques Clouseau não vão
além da curiosidade, confirmando que era Peter Sellers quem dava a graça a cenas semelhantes,
por mais que fossem previsíveis. A ausência do ator, gritante, termina deixando no espectador um
gosto que não é dos mais saborosos.
Dos bons momentos originais deste filme, registre-se quase toda a sua
primeira metade, antes de Clouseau desaparecer. Disfarçado sob uma camada de curativos e com a
perna engessada, Sellers transforma em completo desastre uma simples ida ao banheiro do avião,
da mesma forma que, para acender um cachimbo, quase provoca um incêndio em sua sala na Sûreté
Nationale. Cenas como esta, mais o diálogo na recepção do hotel (com a confusão dos termos
"mensagem" com "massagem"), mostra mais uma vez o quanto Sellers era insubstituível, e o quanto
é sem sentido a investigação criada para justificar a segunda metade do filme. Não se pode
deixar de lembrar, no entanto, o outro grande ator dessa série, presente desde Um Tiro no
Escuro, e cujo personagem foi crescendo em importância graças a seu talento: como Charles
Dreyfus, o ex-chefe de polícia que enlouquece por causa das trapalhadas de Clouseau, Herbert Lom
é magnífico tanto contracenando com Sellers, quanto sozinho. Aqui, os diálogos com o psiquiatra
(ilustrando com letras de músicas o ódio pelo rival) e o sonho do mergulho em 1.500kg de
gelatina são hilariantes. Se era para continuar a série mesmo sem o protagonista, deveria Blake
Edwards investir nesse personagem. Bastaria criar um "A Sombra da Pantera Cor-de-Rosa" mostrando
toda a paranóia de Dreyfus resolvendo um caso qualquer e enxergando Clouseau por toda a parte.
(M.L.)