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Vai Trabalhar Vagabundo


Brasil, 1974.


Com HUGO CARVANA, ODETE LARA, NELSON XAVIER, PAULO CESAR PEREIO, VALENTINA GODOY, ROSE LACRETA, NELSON DANTAS, ZEZÉ MOTA, WILSON GREY, OTAVIO AUGUSTO, ROBERTO MAIA, FREGOLENTE, NEILA TAVARES, RODOLFO ARENA, GINALDO DE SOUZA, JORGE CÂNDIDO, LICIA MAGNA, IVAN DE SOUZA, JOSEPH GUERREIRO, SÔNIA DIAS, RENATO LANDIM, FERNANDO RESKI, ROSELI FIGUEIREDO.

Argumento, roteiro e diálogos: HUGO CARVANA e ARMANDO COSTA. Música: CHICO BUARQUE DE HOLLANDA e ROBERTO MENESCAL. Montagem e continuidade: NAZARETH O’HANA. Fotografia: JOSÉ MEDEIROS. Produção executiva: ALTER FILMES LTDA. Consultor: CARLOS ALBERTO PRATES CORREA. Direção: HUGO CARVANA.

Estréia no RJ:






Sinopse e comentário.



    Comédia. Recém saído da prisão, o malandro e gaiato Secundino Meireles, conhecido por todos como Dino, vai curtir a liberdade. No jóquei reencontra o amigo Ary, que lhe dá uma vultosa soma em dinheiro para que aposte para ele numa barbada. Mas Dino acaba gastando o dinheiro na gafieira, e indo dormir na casa da empregada doméstica Shirley, para fugir antes que os patrões dela o descubram. A fim de recuperar o dinheiro de Ary, que está à sua procura e o jurou de morte, Dino arma um golpe para Azambuja, patrão de Shirley, fazendo-se passar por um milionário comendador português enquanto seduz sua esposa Heloísa. Além disso, Dino ainda ajudará o amigo Mamede a reerguer seu salão de sinuca com uma última partida antes que a casa feche: a revanche, vinte anos depois, entre Babalu e Ruço, que no passado teriam disputado a bela Vitória, vencida por Babalu que com isso abandonara o jogo, enquanto que Ruço, entregue à bebida, foi parar num sanatório. Pensando na fortuna que irá ganhar nas apostas agenciando essa revanche, Dino irá então atrás dos ex-jogadores para convencê-los a uma nova partida, sempre tendo de escapar das vítimas de suas vigarices, que agora o perseguem.


    Totalmente despretensioso, este filme sustenta-se apenas no carisma do elenco, principalmente do protagonista, e no inusitado das situações criadas pelo vagabundo. Mulherengo, vigarista e boa-praça, Secundino representa uma visão romântica do carioca típico, que o próprio filme trata de relegar ao passado na primeira conversa entre Dino e Mamede, quando recordam o quanto era movimentada a noite em seu tempo e comentam o sumiço das figuras da época (com nomes absurdos como Carne Frita e Jorge Horroroso), além do progresso que derrubará parte das casas do bairro para fazer uma avenida. O leve toque de nostalgia, no entanto, dura pouco, pois o que predomina aqui é o escracho e um erotismo quase ingênuo, de adultérios e quartinhos de empregada. Destaque para a figura grotesca de Paulo Cesar Pereio, cabeludo e barbudo, que faz o seu Ruço ir do estado catatônico no sanatório até o de um bêbado alucinado que se passa por ceguinho evangélico. E, ainda, para a alegria do final belíssimo, em que o elenco vai encontrando-se aos poucos pelas ruas do Rio de Janeiro, até reunir-se todo no bondinho do bairro de Santa Teresa. (M.L.)





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