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A Volta da Pantera Cor-de-Rosa
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The Return of the Pink Panther,
Inglaterra / EUA, 1975.
Com PETER SELLERS, CHRISTOPHER PLUMMER, HERBERT LOM,
CATHERINE SCHELL, PETER ARNE, PETER JEFFREY, GREGOIRE ASLAN, BURT KWOUK, DAVID LODGE,
GRAHAM STARK, ERIC POHLMAN, VICTOR SPINETTI, ANDRÉ MARANNE, MIKE GRADY, JOHN BLUTHAL.
The Greatest Gift, letras de HAL DAVID.
Desenho de produção: PETER MULLINS.
Roteiro: FRANK WALDMAN e BLAKE EDWARDS.
Fotografia: GEOFFREY UNGWORTH.
Animação e abertura: RICHARD WILLIAMS STUDIO com KEN HARRIS.
Montagem: TOM PRIESTLEY.
Música: HENRY MANCINI.
Produtor associado: TONY ADAMS.
Produção e direção: BLAKE EDWARDS.
Estréia no RJ:
Sinopse e comentário.
Comédia, terceiro filme com o Inspetor Clouseau. Mesmo com o rigoroso
esquema de segurança, que inclui armadilhas eletrônicas e soldados armados, o maior diamante do
mundo, a Pantera Cor-de-Rosa, foi novamente roubado. Com a "assinatura" deixada pelo criminoso,
uma luva branca, as suspeitas recaem sobre o ladrão conhecido como Fantasma, que há quatro anos
atrás roubara a mesma pedra, num caso solucionado pelo detetive francês Jacques Clouseau.
Solicitado à França pelo Coronel Sharki, Chefe da polícia secreta do Reino de Lugash, o Inspetor
Clouseau reassume suas funções para desespero do Chefe de Polícia Dreyfuss (que o havia
rebaixado para guarda de trânsito), e parte para o Oriente Médio. Paralelamente, o milionário
Sir Charles Lytton, principal suspeito de ser o Fantasma, recebe a notícia de que estão tentando
incriminá-lo, e, jurando não ter cometido o roubo, segue com sua esposa para descobrir o
verdadeiro ladrão e provar sua inocência. Assim, enquanto o atrapalhado Clouseau, que vem sendo
vítima de seguidos atentados, investiga a Sra. Lytton, Charles mete-se numa possível conspiração
governamental, pois a suspeita é de que o Coronel Sharki tenha roubado o diamante para
incriminar a oposição.
Depois de uma estréia ótima e de uma seqüência divertida, esse terceiro
caso do Inspetor Clouseau revelou-se uma frustração. A Volta da Pantera Cor-de-Rosa em
nada lembra o charme e a genialidade de seus predecessores, e é curioso que tenha sido
produzido, co-escrito e dirigido pelo mesmo Blake Edwards. O roteiro, que antes criava
primorosas situações de humor e saborosos diálogos, agora limita-se a deixar tudo nas mãos de
Peter Sellers, para que o astro resolva sozinho o problema de falta de criatividade. O filme
ressente-se de mais personagens, e a transformação do elegante Charles Lytton num herói ao
estilo de James Bond (que, vestido de terno e calça brancos, luta, cai no chão e pendura-se em
luminárias sem jamais se sujar ou amarrotar-se) não dá à história a dinâmica pretendida. Ao
contrário, só faz o espectador sentir falta de David Niven, que interpretou o personagem no
primeiro filme.
Não há muito respeito à mitologia da série. Aqui, diz-se que Clouseau
teria capturado Lytton há quatro anos, quando o Inspetor foi na verdade preso sob acusação de
ser o próprio Fantasma. Desapareceram a esposa de Clouseau e o sobrinho de Lytton, e até um
ótimo personagem surgido em Um Tiro no Escuro, o policial Hercule, sumiu sem dar
explicações. Curioso é que seu intérprete, Graham Stark, está no elenco, mas como Pepi, um
bandido que ajuda o Fantasma. Até um adereço de cena, a pele de tigre sobre a qual a princesa do
primeiro filme é seduzida, é aqui reaproveitado, mas dentro do apartamento de Clouseau.
Para fazer rir, o roteiro limita-se a repetir fórmulas que já dão sinais
de desgaste, como as lutas de Clouseau com o empregado oriental Kato, ou as piadinhas com o
sotaque francês do protagonista, ou os tiques nervosos do chefe de polícia Dreyfuss. Nem as
quedas têm tanta graça, já que a direção optou por mostrá-las em câmera lenta, numa tentativa de
parodiar os filmes de artes marciais. Mas ainda funcionam piadinhas como a dos carros atirados
na piscina, ou o grito de "Siga aquele carro!". Salva-se o maestro Henry Mancini, que não se
prendeu ao tema de abertura e compôs bela e variada trilha sonora. Da mesma forma, a
apresentação em desenho animado, com a Pantera Cor-de-Rosa sapateando e imitando figuras
ilustres do cinema como Carmem Miranda e Mickey Mouse, merece registro. E, obviamente, há a
atuação de Peter Sellers, que carrega o filme nas costas em cenas como a que luta com um
aspirador de pó, ou disfarça-se de técnico de telefones, ou ainda de milionário sedutor
(caricaturando o estilo de Humphrey Bogart).
(M.L.)