X2,
EUA, 2003.
Com PATRICK STEWART, HUGH JACKMAN, IAN McKELLEN, HALLE BERRY,
FAMKE JANSSEN, JAMES MARSDEN, REBECCA ROMJIN-STAMOS, BRIAN COX, ALAN CUMMING, BRUCE DAVISON,
ANNA PAQUIN, KELLY HU, AARON STANFORD, SHAWN ASHMORE, KATIE STUART, MICHAEL REID MacKAY.
Música: JOHN OTTMAN.
Co-produção: ROSS FANGER.
Fotografia: NEWTON THOMAS SIGEL.
Montagem: JOHN OTTMAN, ELLIOT GRAHAM.
Desenho de produção: GUY DYAS.
Direção de arte: GEOFF HUBBARD, HELEN JARVIS.
Produção executiva: STAN LEE, AVI ARAD, TOM DeSANTO,
KEVIN FEIGE, BRYAN SINGER.
Produção: RALPH WINTER, LAUREN SHULER DONNER.
Roteiro: MICHAEL DOUGHERTY & DANIEL P. HARRIS.
História: BRYAN SINGER & DAVID HAYTER e ZAK PENN.
Direção: BRYAN SINGER.
Estréia no RJ: 02.05.2003.
Sinopse e comentário.
Aventura. Após quase ser assassinado por um mutante em plena Casa
Branca, o Presidente dos EUA enfim autoriza o General William Stryker a pôr em prática a invasão
à escola para superdotados mantida pelo prof. Charles Xavier, mutante líder de um grupo secreto
batizado por X-Men. Capturado enquanto visitava o antigo amigo (e atual rival) Magneto na
prisão, e enquanto as mutantes Jean Grey e Tempestade partem à procura de Noturno (o mutante
que tentara assassinar o Presidente), Xavier não tem como evitar a invasão da escola, defendida
por Wolverine, que acabara de retornar de uma viagem a uma base abandonada no Canadá e é
obrigado a fugir com os poucos jovens mutantes que conseguiu salvar. Ao reencontrar Jean Grey e
unindo-se a Magneto (que, com a ajuda da comparsa Mística, conseguiu fugir da prisão), Wolverine
e os demais terão de não apenas salvar Xavier, mas evitar o plano do General Stryker, que
conseguindo construir uma réplica da máquina telepática Cérebro, utilizada pelo líder dos X-Men
para localizar seus pares, pretende destruir todos os mutantes da Terra.
As histórias em quadrinhos da Marvel tinham (provavelmente ainda têm)
isso de bom: a capacidade de explorar bem as situações-limite de perigo, aprisionando com isso
a atenção do leitor à trama e deslumbrando-o com a inventividade dos roteiristas. Em X-Men
2, a terrível probabilidade de a escola do Prof. Xavier ser invadida pelas forças armadas,
bem como o encontro entre Xavier e o mórbido Jason (um mutante mais poderoso do que ele, fruto
de um fracasso no passado) tornam-se realidade, e tais recursos são tão bem utilizados que
atingem - como deve fazer um bom filme de aventura - nossos temores inconscientes quanto à
fragilidade do mundo em que vivemos, onde a segurança quase sempre não passa de uma balela, e a
qualquer momento podemos estar diante do imprevisto que o mais minucioso dos cálculos não foi
capaz de prever. O filme mostra bem isso ao violar dois lugares considerados "intocados" (além
da Escola, a própria Casa Branca), bem como ao exibir as torturas sofridas por um personagem até
então poderosíssimo como Magneto.
O outro ponto positivo do filme é o de não se render ao estrelato recente
de alguns de seus protagonistas. Temeu-se um destaque exagerado a Hugh Jackman e Hale Berry, o
que atrapalharia a trama, mas o diretor Bryan Singer e seus roteiristas souberam felizmente
evitar tal armadilha. A divisão do peso de cada personagem é surpreendentemente bem equacionada,
dando a todos eles a devida importância. A deliciosa Rebeca Romjin-Stamos, certamente devido a
seu papel em Femme Fatale, de Brian de Palma, enfim aparece sem a maquiagem da personagem
Mística, e o novo personagem Noturno, embora sua história peça um maior aprofundamento, também
surge despertando interesse. Entende-se que, com tão rico material e tanta necessidade de
agradar o grande público (mais interessado em efeitos especiais e cenas de ação), muita coisa
boa seja vista por alto, como o passado nebuloso de Wolverine, a experiência com o mutante Jason
e a própria discussão sobre a intolerância, o principal mote que guia toda a saga dos X-Men, e
aqui resumida numa frase essencial: "Partilhar o mundo nunca foi uma grande qualidade do homem".
Também é pena a mudança de compositor, e o não aproveitamento da partitura de Michael Kamen,
criada para o primeiro filme.
Aos que gostam de comparações, X-Men 2 é tão bom quanto seu
antecessor. Tem vantagens em relação ao outro, mas em compensação falha em dramaticidade e
impacto. Embora mais intrincada e imaginosa, não se vê na trama momentos inesquecíveis como as
cenas da infância de Magneto, na Polônia dominada pelo nazismo, ou a seqüência da luta de
Tempestade com o mutante Groxo (que, aliás, não dá as caras por aqui). Mas não dá para ficar
alheio aos deliciosos diálogos, principalmente às farpas que a "facção" de Magneto fica o tempo
todo lançando contra os mutantes "do bem", a ponto de a boazinha Vampira quase perder a cabeça.
(M.L.)
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